Você sente um apertinho no peito quando o outro jogador brilha mais que você?
Vem cá, jogador.
Chega mais perto.
Hoje não foi você.
Tem dias em que o jogo não te escolhe.
E faz parte.
Você corre, tenta, se entrega.
Mas não saiu como você queria.
O gol não foi seu.
O passe mais bonito não saiu do seu pé.
Você estava em campo.
Tentando.
Jogando.
Mas não conseguiu entregar tudo o que sentia que podia ao jogo.
E você reparou que era o dia do colega de equipe.
Ele estava inspirado.
O nome dele era exaltado.
Era para ele que todos olhavam.
E isso doeu.
Tá tudo bem.
A vida é assim mesmo.
Existe brilho para todos.
Só que nem sempre no mesmo dia.
O sentimento que aparece e quase ninguém fala
Esse sentimento aparece em muitas crianças.
Sentir-se triste por não estar conseguindo dar tudo que sente que pode no jogo é esperado.
Você tenta disfarçar.
Mas a cabeça começa a falar:
“por que não eu?”
“o que ele tem que eu não tenho?”
“será que eu fiquei para trás?”
Às vezes vem raiva.
Às vezes vem desânimo.
Às vezes vem vontade de sumir do jogo por alguns minutos.
O problema não é sentir isso
Sentir vontade de ser visto é aceitável.
O problema é o que você faz com esse sentimento.
Se isso já aconteceu com você, presta atenção:
isso não te faz fraco.
Isso te faz humano.
O perigo começa quando a comparação manda em você
O problema não é perceber que o outro está melhor hoje.
O problema é quando você começa a brigar por dentro, quando o outro jogador brilha mais que você.
Quando a comparação vira raiva, o jogo muda.
Você prende a bola.
Força jogada.
Para de jogar simples.
E, sem perceber, começa a jogar contra você mesmo.
Quando você briga por dentro, o jogo fica pesado por fora.
Sentir-se triste por não estar conseguindo dar tudo que sente que pode no jogo é esperado.
Não pode é deixar esse sentimento pelo bom desempenho do outro fazer morada em você.
Admirar o que o outro traz aos nossos olhos é um exercício importante no esporte.
Admirar o outro atleta não é se diminuir
Aqui tem algo importante que poucos aprendem cedo.
Respeitar quem está bem não te coloca abaixo.
Todo jogador tem dias de destaque.
E dias comuns.
E dias difíceis.
Esse contexto te deixa mais maduro.
Admirar o outro atleta não é perder espaço.
Não é aceitar menos.
Não é baixar a cabeça.
Admirar é reconhecer que o outro está vivendo um bom momento, ou uma boa fase, ou até mesmo um bom dia.
E entender que o futebol é feito de altos e baixos no desempenho do atleta.
Hoje foi ele.
Outro dia pode ser você.
O jogador que cresce aprende a olhar sem inveja.
E a aprender com quem está bem.
O que dá para aprender quando o outro está brilhando
Em vez de se comparar,
ou de deixar doer por dentro,
você pode observar quando o outro está brilhando:
Como ele se movimenta.
Como pede a bola.
Como decide rápido.
Como se posiciona sem a bola.
Isso não é copiar.
É aprender.
Quem aprende com o jogo cresce mais rápido do que quem só reclama dele.
Seu jogo não some porque o outro apareceu
O brilho do outro não apaga o seu.
Ele não rouba sua história.
Não diminui seu valor.
O futebol não é uma corrida de um jogo só.
É um caminho longo.
Quem permanece inteiro no caminho chega mais longe.
Quem aprende a dominar suas emoções, a reagir melhor a esse momento, melhora como atleta.
O que fazer quando isso acontece com você
Quando sentir esse aperto, faça assim:
Respire fundo.
Lembre que o jogo continua.
Escolha jogar simples.
Ajude o time.
Siga presente.
Você não precisa provar nada naquele minuto.
Precisa continuar jogando.
Precisa refletir naquilo que pode melhorar, evoluindo dia a dia.
Quem continua cresce.
Um pensamento para guardar
Em vez de pensar
“ele é melhor do que eu”
experimente pensar
“hoje é o dia dele, e eu faço parte desse jogo”.
Esse pensamento te protege.
E te mantém no jogo por dentro.
Para guardar
Vem cá, jogador.
O brilho do outro não apaga o seu.
O jogo é longo.
E quem aprende a admirar sem se perder
cresce mais forte
e fica mais tempo.
O jogo continua.
E você também.
Se você é adulto e quer aprender a ajudar seu atleta a reagir melhor a este e a outros sentimentos que surgem no esporte, este material é para você!
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