O papel dos pais quando o filho fica no banco no futebol infantil
O papel dos pais quando o filho fica no banco no futebol infantil vai muito além de se conter.
É sobre imaginar como a criança está naquele momento.
Sem drama, sem peso.
Quando uma criança fica no banco, ela sente.
Mas quando um filho fica no banco, o pai se desorganiza.
A criança lida com frustração.
O adulto lida com medo.
Medo de o filho perder a confiança.
Medo de ele desistir.
Medo de estar falhando como apoio.
É por isso que o banco costuma doer mais nos pais do que nos filhos.
E é também por isso que tantas decisões erradas nascem exatamente ali, sentados na arquibancada.
Banco no futebol infantil: o problema não é sentar, é o silêncio
No futebol infantil, nem todo mundo começa jogando.
E isso, por si só, não é erro.
O problema começa quando o banco vira silêncio.
Quando a criança que era titular começa a ficar ali, sem minutagem, ela percebe.
Quando ninguém explica, a criança começa a achar que não tem mais importância no time.
Quando a criança não entende o porquê, tudo fica mais difícil.
Para a criança, não jogar sem entender o motivo não parece uma escolha técnica.
Parece rejeição.
Ela começa a remoer.
Não se sentir pertencente.
Sentir que talvez não faça mais tanta diferença assim.
E é aqui que o papel dos pais se torna decisivo.
O que será que, como pai ou mãe de atleta, tenho transmitido para essa criança nessa situação?
O que seu filho vive no banco (e você nem sempre vê)
Do lado de fora, você vê uma criança com semblante fechado.
Recolhida.
Por dentro, seu filho pode estar vivendo:
- dúvida
- comparação
- insegurança
- vontade de desistir
Quando o adulto reage com raiva, cobrança ou ataque ao treinador, a mensagem que chega à criança é perigosa:
“Você só vale quando está jogando.”
Mesmo sem intenção, isso pesa.
Precisamos de autocontrole.
As palavras que saem dos nossos lábios importam.
E nem sempre elas aparecem ali, depois ou durante o jogo.
Muitas vezes erramos em comentários soltos, feitos em outros momentos.
Falamos de banco com desdém.
Comentamos sobre outras crianças.
Tratamos o banco como algo menor.
E a conta chega.
Nem sempre nossos filhos serão titulares absolutos.
Até mesmo um titular pode, estrategicamente, começar no banco.
Mas a forma como vendemos esse conceito ao longo do tempo volta contra nós mesmos enquanto pais.
Banco no futebol infantil: quando a espera vira aprendizado
Banco também ensina, quando alguém sustenta
Estar no banco no futebol infantil pode ensinar coisas que iniciar jogando não ensina:
- paciência
- leitura de jogo
- autocontrole
- maturidade emocional
Mas isso só acontece quando a criança sente que não foi abandonada.
O que sustenta o banco não é discurso motivacional.
É presença.
Quando uma criança está no banco, ela tem a oportunidade de, ao entrar, fazer exatamente aquilo que observou que estava faltando na partida.
É uma posição que, se bem aproveitada, gera estratégias inteligentes.
Uma visão privilegiada.
A criança entra no jogo sabendo o que fazer e como fazer.
Observa adversários.
Percebe instabilidades da própria equipe.
Pensa antes de agir.
Tudo gira em torno de como olhamos.
Por qual prisma você tem ensinado sua criança a olhar?
O papel dos pais não é tirar o filho do banco
é ajudá-lo a atravessar esse momento.
A tarefa dos pais é ajudar a criança a entender os diversos processos que envolvem o futebol.
Banco faz parte.
Perder pênalti faz parte.
Levar gol faz parte.
Precisamos, enquanto pais, trabalhar tudo isso e fortalecer nossa criança para enfrentar situações que são inerentes ao jogo.
Elas vão acontecer, querendo ou não.
Proteger a criança do banco não fortalece.
Proteger a criança no banco, sim.
Algumas atitudes simples mudam tudo:
- conversar depois do jogo, não no calor da emoção
- ouvir mais do que explicar
- validar o sentimento sem criar revolta
- evitar comparações com outros atletas
Frases que ajudam mais do que você imagina:
“Nem todo dia é dia de começar.”
“Mesmo no banco, você faz parte do jogo.”
“O que você pode observar hoje para entrar melhor?”
Quando a criança fica no banco ela:
Estuda o jogo de um ângulo privilegiado.
Ouve o que o treinador está falando para os colegas.
Isso é um momento riquíssimo de aprendizagem.
Acredite.
Quando o banco deixa de ser educativo
O banco deixa de ser educativo quando nos sentimos inferiorizados por ver nossos filhos ali.
Quando permitimos que eles se sintam inferiores por estarem no banco.
Ou quando percebemos a ausência de oportunidades.
Isso é mais comum do que parece.
O banco vira problema quando:
- sempre são os mesmos sentados
- não existe diálogo
- o erro vira rótulo
- a criança entra sem orientação
- a espera vira humilhação silenciosa
Nesses casos, o banco não forma.
Machuca.
Cabe ao treinador perceber a diferença entre processo e descuido.
Olhar atento, respeito à minutagem e oportunidades distribuídas fazem parte da responsabilidade técnica.
O treinador é corresponsável pelo sentimento dessa criança.
Será que em algum momento isso é conversado em treino?
Será que existe espaço para escuta?
Tudo é conjunto.
Não só pais.
Não só treinador.
Muito menos só a criança.
O erro comum dos pais diante do banco
Diante do filho no banco, o erro mais comum dos pais não é conversar com o treinador.
É a hora.
É o momento.
É a forma.
Muitas vezes a conversa vem carregada de raiva.
E, pior, diante da criança.
Daí surgem decisões impulsivas como:
- trocar de clube por impulso
- criar conflitos desnecessários
- passar à criança a sensação de injustiça constante
Isso não fortalece.
Desorganiza.
Decisão boa nasce da observação, não da explosão.
Vale sempre se perguntar:
quais valores estou ensinando para o meu filho agora?
Seu filho não precisa jogar sempre
precisa sentir que importa sempre
Jogar sempre não é tão comum assim.
A maioria dos times tem reservas.
Ser titular absoluto não é a regra.
Inclusive, o atleta também precisa respirar, descansar e observar durante uma partida.
Mas ele precisa sentir que é importante.
Que é pertencente.
Isso vem de um conjunto de fatores, valores e princípios que são alimentados diariamente.
Aqui entra a proteção emocional.
Como mãe de atleta, busco, nos momentos fora do treino e do jogo, reforçar para meus filhos o quanto eles são importantes para o time.
E lembro sempre que os outros também são.
Isso fortalece emocionalmente e diminui o egocentrismo no atleta.
Uma criança emocionalmente segura:
- aceita esperar
- entra preparada
- confia mais em si
- joga mais leve
Isso não nasce do tempo de jogo.
Nasce do ambiente.
E o ambiente começa em casa.
Se complementa no treino, no jogo, na escolinha, com o treinador.
Não acertamos sempre.
Mas fortalecemos um pouco a cada dia.
Esse é o nosso papel.
Conclusão
Seu filho não é menor por ficar no banco.
E você não falhou por isso.
Às vezes, o banco é só uma etapa.
Outras vezes, é um sinal de alerta.
Saber a diferença exige calma, escuta e maturidade.
Se você quiser ajudar seu filho a atravessar o esporte com mais equilíbrio, vale ler também o texto escrito diretamente para as crianças da série Vem cá, jogador. Ler juntos fortalece mais do que qualquer cobrança.
Formação não é pressa.
É cuidado.









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