Quando a criança perde o pênalti, o silêncio do campo costuma ser maior do que o barulho da torcida.
E é nesse silêncio que o adulto mais importa.
A bola está parada.
O campo fica quieto.
E, por alguns segundos, tudo parece pesar mais do que deveria.
Para muitos que assistem, é só futebol.
Para a criança, pode parecer o momento em que tudo deu errado.
Este texto existe para lembrar algo essencial:
perder o pênalti não define quem a criança é.
Define apenas um momento do jogo.
O erro não vira identidade.
Vira experiência.
Quando a criança perde o pênalti e a cabeça dispara
Quando chega a hora do pênalti, o corpo da criança sente antes da cabeça entender.
O coração acelera, as pernas ficam diferentes e o mundo parece olhar só para ela.
Não é só um chute.
É um momento de coragem em um jogo que coloca pressão até em adulto.
Após a batida, a bola nem tocou o chão ainda
e a cabeça já começou a correr.
“Eu errei.”
“Foi culpa minha.”
“Eu estraguei tudo.”
Esses pensamentos chegam rápido demais para quem ainda está aprendendo a lidar com pressão, expectativa e com o olhar dos outros.
Mas calma.
Nem sempre perder o pênalti significa ter errado.
Perder o pênalti nem sempre é erro de quem bate
O pênalti traz consigo várias emoções e escolhas, tanto para o treinador quanto para a criança.
São várias situações que permeiam uma batida de pênalti.
Inclusive o peso da responsabilidade da batida pode variar de acordo com a origem do penalti: surgiu durante o jogo? Ele pode ter surgido durante uma partida, vinda de uma falta, ou no final do jogo para definir quem vence. Ambas situações carregam reações e emoções diferentes.
Existem muitos desdobramentosv envolvidos na expectativa de uma batida de pênalti:
- Quem vai bater: o mais preparado, o mais confiante ou quem sofreu a falta
- Quem se candidata a bater demonstra confiança ou coragem
- O treinador escolhe e se responsabiliza pela escolha
- O treinador dá a oportunidade para quem pediu
E a batida em si ainda traz outros contextos:
- A criança converte o pênalti em gol
- A criança bate bem, escolhe o canto, chuta firme e não converte, seja por erro de batida ou porque o goleiro defende
E mesmo assim, a bola não entra.
Isso não é incapacidade.
Isso é futebol.
O jogo não promete justiça.
Promete disputa.
Quando a criança perde o pênalti e o mérito é do goleiro
Não podemos esquecer que existem crianças dos dois lados.
E que o desejo de acertar vibra em ambos.
Aqui fica claro que nem todo pênalti perdido é derrota do batedor.
Às vezes, é vitória do goleiro.
Tem goleiro que observa o jogo inteiro.
Tem goleiro que recebe orientação, estuda a forma de bater dos principais batedores adversários.
Tem goleiro que aprende padrões comuns.
E também existe o dia do goleiro.
E está tudo bem.
O goleiro se movimenta buscando a defesa.
Às vezes, ele acerta o lado.
Às vezes, se antecipa.
Às vezes, faz uma grande defesa.
Quando a criança aprende a trocar o pensamento
“eu falhei”
por
“o outro conseguiu”
algo muda por dentro.
Ela continua inteira.
E isso faz parte do amadurecimento esportivo da criança.
Os pais precisam contextualizar isso diariamente para fortalecer o emocional do atleta.
Quando a criança perde o pênalti depois de pedir para bater
Existem pequenos atletas corajosos que pedem para bater.
Seguros da própria habilidade e da capacidade de conversão.
Pedir a bola é coragem.
Bater é atitude.
Características importantes e indispensáveis no processo de amadurecimento do atleta.
Mesmo quando a bola não entra, o resultado traz ganho.
À primeira vista, parece só perda.
Mas a reflexão revela o ganho.
Quando a criança pede para bater e o goleiro defende, o gesto continua valendo.
Nada apaga isso.
O futebol precisa de crianças que tentam.
Não de crianças que fogem do desafio por medo de errar.
Errar tentando é crescimento.
Não é tentativa frustrada.
Quando a criança perde o pênalti escolhido pelo treinador
Quando o treinador escolhe, a responsabilidade é dividida.
A decisão não é só da criança.
O risco não é só dela.
Escolher alguém para bater também é assumir que o futebol é imprevisível.
E que toda escolha envolve a possibilidade de erro, ainda mais no esporte infantil.
Aqui, a responsabilidade do treinador é total e intransferível.
A criança não carrega o jogo sozinha.
Não mesmo.
Inclusive, quando ela pede para bater, ainda assim o treinador é responsável.
Ele é o adulto.
Ele observou o jogo todo.
Ele avaliou o nível de confiança e a inteligência emocional que a criança demonstrou na partida.
A criança nunca deveria carregar esse peso.
O perigo não é perder o pênalti, é o que fica na cabeça
Para quem deseja formar crianças fortes emocionalmente antes de atletas, este material pode ajudar.
Link: A criança antes do atleta
O que machuca não é a bola defendida.
É o pensamento que fica depois.
Quando a criança acha que falhou como pessoa, algo se fecha.
Ela para de pedir a bola.
Para de tentar.
Para de jogar.
Ou vai para casa com gosto de derrota em uma disputa de pênaltis que definiu o vencedor.
Mas quando entende que o futebol é feito de disputas
batedor contra goleiro
ideia contra leitura
coragem contra preparação
ela cresce.
Ela aprende que perder um lance não apaga quem ela é.
Mas quem constrói essa imagem?
Aqui, treinador e pais têm um papel conjunto na construção da maturidade esportiva.
Ensinar a criança a não sofrer em uma condição em que ela é protagonista, mas não tem domínio sobre o resultado, é formação.
O que fazer depois que a criança perde o pênalti
Depois que a criança perde o pênalti, ela carrega a dor de não ter convertido.
Aqui, precisamos nos revestir da autoridade de pais e treinadores, mas acima de tudo de educadores.
Agir como adultos que sabem que aquilo é só mais uma partida de futebol.
Que está tudo bem errar.
Que o jogo continua.
E que é só isso.
Não podemos dar mais peso do que o episódio merece.
Isso não define o atleta.
Ensinar a levantar a cabeça e enfrentar as consequências, mesmo quando não são administráveis, é tarefa indispensável na construção do atleta.
Uma boa forma de conduzir a criança é lembrá-la:
Respire.
Levante a cabeça.
Volte para o jogo.
Ajude o time.
Marque.
Peça a bola simples.
Mostre algo maior do que o gol:
presença.
O jogo continua.
E você também.
Para guardar e ler em voz alta para a criança
Você não é o chute.
Você é a coragem de bater
e a forma como continua depois.
Nem todo pênalti perdido é erro.
Às vezes, é defesa.
Às vezes, é mérito do outro.
Perder o pênalti faz parte do jogo.
Perder a confiança não pode fazer parte da infância.
A criança que tenta,
que se coloca,
que assume o momento,
já está vencendo.
Essa batida foi só uma gotinha d’água
no oceano de experiências que o futebol ainda vai te oferecer.
Material complementar: Antes de pensar no desempenho do atleta, é preciso cuidar do que a criança que sente. Esse material aprofunda isso.
Link E-book: A Criança Antes do Atleta
Situações como pênaltis, convites e decisões fazem parte da jornada esportiva infantil.
Link: E-book: Recebi um convite. E agora?
Seja o pai ou mãe preparado que zela pelo emocional da sua criança e que sabe se posicionar no mundo do futebol infantil.








