Vem cá jogador: Quando o treinador chama sua atenção

Quando o treinador chama sua atenção, não é o fim do jogo. É um momento que pode ensinar, fortalecer e ajudar a criança a crescer dentro e fora do campo.

No futebol infantil, existem momentos que doem mais do que errar um passe ou perder um gol.
E um deles é quando o treinador chama sua atenção.

Vem cá, jogador.
Vamos conversar sobre isso.

Ele chama seu nome.
O jogo para.
Todo mundo parece olhar.

Naquele instante, o corpo reage antes da cabeça.
O coração aperta. O rosto esquenta.
A vontade é desaparecer por alguns segundos.

Você pensa:

  • “ele só pega no meu pé”
  • “todo mundo está vendo”
  • “eu não sou bom o bastante”

Essa dor existe.
E ela machuca de verdade.

Mas presta atenção nisso:
ela não nasce do erro.
Ela nasce do medo de decepcionar.


A vergonha não vem da correção, vem do medo de errar de novo

Quando o treinador chama sua atenção, não é só o lance que está em jogo.
É a forma como você lida com o erro.

Sua cabeça começa a falar:

  • “se eu errar de novo, vão me chamar atenção”
  • “é melhor não tentar”
  • “é melhor não aparecer”

E é aqui que mora o perigo.

Porque o futebol precisa de tentativa.
Só acerta quem tenta.
Quantas vezes for preciso.

Quando o medo entra, você para por dentro.
Mesmo estando em campo.


Sentir medo não é fraqueza, é sinal de compromisso

Se você sente vergonha, aperto no peito ou medo depois de ser chamado atenção, isso não faz de você fraco.
Isso é normal no processo de aprender.

Isso mostra que você se importa.
Que você quer acertar.
Que você quer corresponder.
Que você quer fazer parte.

Sentir receio de errar é sinal de envolvimento com o jogo.
O problema não é sentir.
É não saber o que fazer com esse sentimento.


O que quase ninguém te explica

Muita gente acha que você entende sozinho por que o treinador chama sua atenção.
Mas não é assim.

O treinador não chama quem ele desistiu.
Não corrige quem ele não vê futuro.

Quando ele fala com você, mesmo firme, ele está dizendo:

  • “eu vejo algo aí”
  • “eu espero mais de você”
  • “você faz parte do jogo”

Mesmo quando a voz sobe.
Mesmo quando o momento é duro.

Se ele não acreditasse, passaria reto.
E isso sim seria perigoso.


A orientação é importante

No futebol infantil, corrigir é ensinar.
E ensinar exige presença e responsabilidade.

Às vezes, o treinador enxerga algo que você ainda não consegue ver sozinho:

  • um posicionamento
  • uma decisão
  • uma atitude

Ele chama sua atenção porque aquele momento importa.
É ali, naquele instante do jogo ou do treino, que o ajuste precisa acontecer.

Ele não quer te expor.
Ele não quer te humilhar.
Ele não quer perder o momento de te ensinar.

Essa orientação não fala sobre quem você é.
Ela fala sobre o que pode melhorar.


O erro mais comum quando o treinador chama atenção

Depois de ser chamado atenção, muitos jogadores fazem a mesma coisa:

  • param de pedir a bola
  • jogam para não errar, como se a bola estivesse queimando
  • se escondem no jogo
  • ou perdem o brilho

Isso parece proteção.
Mas não é.

O treinador não quer silêncio.
Ele não quer que você suma.
Ele quer resposta.

Resposta no jogo.
Resposta no treino.


Como transformar a correção em aprendizado de verdade

Primeiro: respira.
Respira fundo.

Respirar acalma o corpo.
Respirar organiza a cabeça.

Depois, olha o jogo de novo.
E escolhe uma atitude para ajustar, de acordo com o que foi orientado.

Pode ser:

  • marcar mais perto
  • soltar a bola mais rápido
  • se posicionar melhor
  • falar com o time

Não precisa mudar tudo.
Precisa mostrar que ouviu.

Quando você faz isso, algo muda por dentro.
A culpa sai.
A responsabilidade entra.

Isso é maturidade emocional.


Quem cresce aprende a ouvir sem se quebrar

Quem aprende a ouvir sem levar tudo para o lado pessoal cresce mais rápido.
Porque ajusta antes.
Porque entende melhor o jogo.
Porque não se perde no erro nem no tom.

Isso vale no futebol.
Vale na escola.
Vale na vida.

Quem aprende cedo a lidar com correção não foge dos desafios.
Fica mais forte.
Sai na frente.


Um segredo importante

Quem te corrige ainda está te olhando.
Quem não fala nada, muitas vezes já parou de esperar algo de você.

Por isso, esse momento pede escuta, não ataque.
Pede presença, não confronto.

Quando você aprende a atravessar isso do jeito certo, leva essa força para a vida inteira.


Para guardar

Vem cá, jogador.

Não abaixe a cabeça quando alguém acredita em você.
Levante.
Escute.
Ajuste.
E siga jogando.

Quem acredita em você não te abandona no erro.
Deixe a vergonha para trás.
Você importa.

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